#Os Intocáveis#




Especial: Walter Hugo Khouri

O principal diretor e roteirista paulista foi Walter Hugo Khouri. Khouri  nasceu em São Paulo no dia 21 de outubro de 1929, quando o cinema ainda era uma novidade. Começou trabalhando na TV Record, foi jornalista, crítico e teve sua primeira chance no cinema em 1952, sendo assistente de produção de O Cangaceiro na Vera Cruz. No ano seguinte conseguiu fazer seu primeiro filme em condições semi-amadoras, O Gigante da Pedra.

A partir daí, Khouri não largou mais a direção, sendo considerado o Ingmar Bergman brasileiro. Em seus filmes tratava de assuntos peculiares e até mesmo eróticos, focando sempre a mulher. Os papéis masculinos, sempre secundários, apenas servia como ótica em relação as protagonistas, e curiosamente sempre se chamavam Marcelo, porém seus filmes não eram comerciais e sim pessoais. Entre esses se destacam Na Garganta do Diabo (1959), que inclusive ganhou o Festival de Mar del Plata; Noite Vazia (1964), considerada sua obra prima sendo grande  sucesso de bilheteria que chega a concorrer em Cannes, que foi tragicamente perseguido e interditado pela censura; Corpo Ardente (1965); Convite ao Prazer (1980); Eros, o Deus do Amor (1981); Amor , Estranho Amor (1982)  - este filme lançou Xuxa Meneghel na mídia, e por possuir cenas eróticas envolvendo a apresentadora, ela conseguiu a interdição deste filme – que é considerado um dos filmes mais maduros e sensíveis; e mesmo em seu último filme (e assim como em todos outros), Paixão Perdida (1998) foi enigmático e coerente com as preocupações temáticas e formais.

Walter Hugo tem fama também pelo fato de ter trabalhado com diversas beldades como Lilian Lemmertz, Vera Fischer, Adriana Prieto e Ana Paula Arósio. Khouri foi um grande cineasta reconhecido inclusive internacionalmente pelo próprio Bergman. No brasil foi reconhecido publicamente por Glauber Rocha. Mesmo obtendo críticas negativas na época da ditadura pela temática de seus filmes, ele é muito agraciado pelo mais famoso crítico brasileiro de cinema, Rubens Ewald Filho, “um dos maiores cineastas brasileiros, um dos pouquíssimos que tiveram carreira longa, consistente, autoral, com um mínimo de concessões.”, como também foi convidado pelo próprio diretor a fazer uma pequena ponta em Amor, Estranho Amor, Ewald disse “pude observar Walter dirigindo, improvisando o roteiro, controlando as tomadas na cabeça, trabalhando com rapidez e eficiência. E sempre tratando com carinho e afeição suas estrelas da ocasião.”

Khouri, um dos mais dedicados criadores do cinema brasileiro, realizou 24 longas no total de meio século de carreira.  Walter faleceu no dia 27 de junho de 2003, faltando quatro meses para completar 74 anos, vítima de infarto.

A biografia de sua obra encontra-se no livro O Equilíbrio das Estrelas: Filosofias e Imagens no cinema de Walter Hugo Khouri, de Renato Luiz Pucci Júnior.

De seus filmes só pude conferir dois:

Noite Vazia (1964)

Um dos filmes mais intimistas que já vi, super profundo. Uma verdadeira aula de direção, você percebe como se faz filmes verdadeiramente artísticos. O que sinto é que Khouri não explorou melhor os diálogos, porque as imagens são belíssimas. O filme é extremamente melancólico e depressivo, as imagens chegam a ser perturbadoras. Gabriele Tinti, como Nelson, está fantástico. Ele rouba quase todas as cenas em que aparece e nunca vi um olhar conter tanta melancolia em minha vida, como neste filme. O que mais me chamou atenção no filme, foi o fato de Khouri conseguir fazer uma cena, que dura três minutos, de um cara olhando uma revista - e somente isso - tão dinâmica. O roteiro é maravilhoso, a direção esplêndida e as atuações, no mínimo, notórias. Ah, sem me esquecer, eis a sinopse: Dois amigos contratam os serviços de uma dupla de prostitutas. O que seria uma noite de prazer acaba se transformando em um embate entre os quatro, revelando pouco a pouco suas angústias e ressentimentos e aflorando seus sentimentos mais íntimos e profundos. [87]

O Corpo Ardente (1966)

Em relação ao Noite Vazia, este filme é bem mais fraco, mas memso assim contém muita qualidade. Eis de novo o que me desagrada, os diálogos são novamente mal-explorados. Valendo exclusivamente pelas belíssimas cenas. A história me pareceu um pouco perdida, já que não entendi a lógica da história secundária. E acho que a história só existe como desculpa para as cenas. Todas as cenas com o cavalo são maravilhosas, dificilmente se vê cenas como tais. Sinopse: Mulher descobre-se traída pelo marido e procura outro homem como forma de se vingar. Mas o triângulo não resolve suas insatisfações. [62]

Escutando: CD (Ok Computer - Radiohead); Música (If - Bread)



 Escrito por Gabriel Carneiro às 20h38
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O Espanta Tubarões (Shark Tale, 2004)


 

Certo, eu esperava algo deste filme. Achei que poderia ser superior a "Procurando Nemo", afinal teria de tudo para ser (história, atores, visual das personagens, etc), mas não, o filme prova ser tudo aquilo que a Dreamworks Animações nunca foi: infantil, o filme é voltado exclusivamente para pessoas com menos de 10 anos. E isso estraga o filme, previsível, clichê, cheio de liçõezinhas de moral, politicamente correto ao extremo e final mais do que feliz; até parece que a vida é assim, e eu sei é apenas um filme, mas o realismo não precisa ser nulo. O filme não chega a ser um total desastre, tem seus bons momentos, mas não conseguem segurar a grande bobagem que o filme é.

Não sei o que aconteceu com a Dreamworks Animações. Eles porduziram seu conto de fadas sarcástico, "Shrek"; duas fábulas, "Spirit - O Corcel Indomável" e "O Caminho para El Dorado"; e um conto bíblico, "O Príncipe do Egito". Todos com óticas adultas, visando um público mais velho sem largar truques para atrairem o público infantil, e neste fez exatamente o contrário. Perdeu toda aquela inspiração, para produzir algo que dê dinheiro. E o pior é que esse filme tinha de tudo para ser mais uma fábula "adulta" com toques infantis. Afinal, eles lidão com coisas como diferentes classes sociais e máfias - fazendo algo que "Procurando Nemo" já fez -, ao mostrar como seria nossa sociedade no mar.

Oscar é um peixe malandrão do fundo do mar que sonha em ser "alguém" na vida. Don Lino é o chefe da máfia marítima. Esses dois nunca se encontrariam se Oscar não tivesse levado a glória por matar seu filho (uma âncora caiu e matou-o), tornando-se o herói e celebridade do momento. Don Lino ao saber disso, começa uma perseguição a Oscar.

O que mais me irritou no filme foi Will Smith, a cada momento que se passava eu tinha mais vontade de dar um tiro no infeliz, de tão irritante que é. Usando e abusando daquele horrível linguajar e trejeitos. Não sei porque não mataram ele quando houve a chance. Na verdade o filme é de 3 personagens: Jack Black, Robert De Niro e Martin Scorsese. Todos muito engraçados. E o que me chamou muito a atenção foi o fato de todos os personagens terem a mesma feição dos atores dubladores.

Gostei muito da cena em que Oscar conta a história do pai, e dos momentos do encontro de "família". E as cenas do romance água com açúcar me fizeram desacreditar no filme.

Outra coisa que queria chamar a atenção foi a péssima escolha para tradução do título. De "O conto dos Tubarões" para " O espanta tubarões", a falta de criatividade é imensa. Podia ser de tudo menos esse título bizarro.

Pelo menos, visualmente falando, o filme é muito bonito. A trilha sonora não desaponta, e o filme se salva neste aspecto. Ainda bem, porque o roteiro não consegue segurar nada.

Nota: 52/100

Escutando: CD (Pet Sounds - The Beach Boys); Música (Vento no Litoral - Legião Urbana)

A Descobrir

Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995) - Com o lançamento da continuação "Antes do Pôr-do-Sol", resolvi assistir este Antes do Amanhecer. E não é que adorei o filme, super intimista, pessimista em relação a vida, mas que sempre conta com um ínfimo de esperança. Jesse e Celine são dois jovens a viajar que se encontram e decidem explorar Viena. E é com a premissa que eles terão até Antes do Amanhecer que eles se tornam uma pessoa, contando e descobrindo sobre a vida. E que venha o segundo.  [96]



 Escrito por Gabriel Carneiro às 21h36
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Chamas da Vingança (Man on Fire, 2004)


 

Não sei nem por onde começar. Primeiro vou contar por que é que eu fui ver esse filme horrendo. Fui ao cinema com a intenção de ver "O Terminal" que ainda não vi, para variar, estava esgotada a sessão. O filme com o melhor horário acessível era este ou "A Supremacia Bourne", que não tenho a mínima vontade de ver. Então fomos, eu e a Mel, ver este "Chamas da vingança". Eu já não esperava nada deste filme, portanto eu só tinha com o que me surpreender, e não é que me decepcionei ainda com o filme. Consegue ser muito pior do que eu esperava, e eu não esperava nada...vê-se como é grave a situação. Valeu só pela comphania, por que chegou uma hora que eu quase sai da sala de tão entediado que estava. Na verdade, a cada vez que penso no filme, pior ele se torna. Um policial banal, com roteiro fraco, fracas atuações... E eu achando que o pior filme que vi que estreou em 2004 no Brasil seria "Garfield - O Filme", me enganei profundamente...este ganha fácil.

Este é o segundo filme que vejo de Tony Scott, o primeiro foi o ótimo "Jogo de espiões", mas este prova como Scott é fraco. Como alguém em sã conciência faria um filme com um roteiro idiota, em quase duas horas e meia? Só se for para morrermos de tédio. O filme é extremamente cansativo, tanto que a única parte do filme que realmente gostei foram os créditos, na hora que eu iria embora. Na verdade não sei se a falha é do roteiro, da direção, ou dos dois. Porque o roteiro é ruim e a direção nem se nota.

Ex-militar e alcoólatra vê a chance de um emprego como segurança. Esta oportunidade lhe é dada para evitar o sequestro de uma menina rica. Nela, ele reencontra a felicidade...até o dia em que ela é sequestrada, e ele faz de tudo para conseguí-la de volta. Mais um filme estúpido sobre vingança. Aliás, até chegar ao ponto da premissa, vai-se por volta de uma hora...e isso é massante.

Eu não sei porque, mas desde que Denzel Washington ganhou o Oscar por "Dia de Treinamento" eu passei a desgostar dele, sem motivos aparentes. Mesmo assim, ainda vi filme com ele que gostei, assim como de sua atuação. Mas neste não aconteceu isso. Ele repete todas as manias dos personagens a ele, não inova em nada e se torna super caricato. Christopher Walken mais canastrão impossível. Dakota Fanning me irrita profundamente como a cópia da menina Cecília Dassi na novela "Suave veneno". Na verdade, só quero trazer como curiosidade a participação dos brasileiros Charles Paraveni, o Afrânio de "Malhação" - que tem mais falas neste filme, que Rodrigo Santoro em seus dois filmes no exterior - e Gero Camilo, o amante de Rodrigo Santoro em "Carandiru". As participações são minúsculas e eles fazem bandidos (que novidade).

Eu acho que a única coisa que consegui aproveitar do filme foi a boa trilha sonora, porque tirando isso, pode por fogo na película. Conduzida por Harry Gregson-Williams, é a única razão do filme não receber "0". A fotografia copia o estilo de "Traffic" e a edição é extremante cansativa. Façam um favor a si memsos e fiquem longe disto. Como alguém gasta tão porcamente 70 milhões de dólares?

Nota: 18/100

Escutando: CD (Hell Freezes Over - Eagles); Música (I'm Waiting for the Day - The Beach Boys)

A Descobrir

Velvet Goldmine (Idem, 1998) - Velvet Goldmine é um filme sobre rock, para quem gosta de rock. Conta a hist´ria do movimento Glam, na Inglaterra. Trazendo personagens baseadas em David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop, o fime conta a história de Brian Slade, ao longo de sua carreira como músico de sucesso. Um filme imprecindível para os amantes do gênero.  [84]



 Escrito por Gabriel Carneiro às 21h59
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Kill Bill Vol. 2 (Kill Bill Vol. 2, 2004)


 

Fazia tempo que não via um filme em dia de estréia. E voltei a fazer isso com glória. Kill Bill se fosse produzido como um só filme, provavelmente seria um dos melhores filmes já feitos, mas fizeram a burrada de dividí-lo. Ainda se eu for fazer uma comparação com o primeiro, tenho que dizer que gostei mais do primeiro, sem tirar os méritos deste "novo" filme (certo, novo, mesmo a maldita Lumiere ter enrolado meses para exibí-lo no Brasil). Entendo perfeitamente porque muitas pessoas preferem o segundo ao primeiro, parafraseando Raphael : "o primeiro é filmes estilo filmes japoneses da década de 70, geralmente com Bruce Lee; já o segundo é Sérgio Leone". Certo que gosto muito de Leone, mas o primeiro filme da série de Trantino me cativou mais; provavelmente ao maior deboche.

Quentin Tarantino é um gênio, mesmo sendo este o pior que vi dele, não deixa de ser soberbo. Tarantino reinventou um gênero, transformou e criou em cima dele. O cinema de Tarantino é doente, cômico e exagerado, uma fórmula até agora perfeita e infalível. Não digo que sou um grande fã dele, aprecio muito seu trabalho e respeito muito, o acho um dos grandes diretores do cinema, mas não posso dizer que sou fascinado pelo cara como muitas pessoas são.

Vou repetir a sinopse do primeiro filme, para não estragar para quem não viu: Uma Thurman é A Noiva, perigosa assassina que no dia de seu casamento com o líder do grupo, Bill, sofre um ataque encomendado por ele e executado por suas antigas parceiras. Sobrevive, mas fica 4 anos em coma. Quando acorda, a única coisa que quer é vingança.

O mais genial de se assistir Kill Bill Vol. 2 é poder vislumbrar a razão de tudo que aconteceu no primeiro filme e em parte do segundo, como é que foi o massacre. Além de ter cenas sensacionais, como o treinamento com Pai Mei, a luta entre (Pi) e Elle, e o reencontro com Bill, e como será a técnica 5 Pontos que Explodem o Coração? Cenas que vão entar para história.

Uma Thurman é uma ótima atriz; David Carradine também, assim como todo o elenco. Tá bom, ou quer mais?

A trilha sonora é com certeza uma das coisas que tornam o filme tão bom, quase toda recheada de clássicos do faroeste de Leone, compostas pelo gênio Ennio Morricone. Não sei se gosto mais da trilha do primeiro ou do segundo. Gosto mais também do figurino do primeiro filme, a roupa de colegial e a roupa amarela de 'A Noiva' me chamaram muito a atenção. O filme é genial, assista e comprove isso. Gostaria de ressaltar que quem for assistir o filme esperando litros e litros de sangue como no primeiro irá se decepcionar, o filme é mais focado na história. Deveriam fazer uma ode a Tarantino...

Nota: 89/100

Escutando: CD (OST Velvet Goldmine - Vários); Música (Words - Bee Gees)

A Descobrir

A Outra (Another Woman, 88) - O único drama que vi de Woody Allen, aliás um dos poucos filmes que vi de Allen, e que me cativou muito. O filme é a história de uma mulher que vive ao redor do fato "outra" (ela é, e sofre disso). O filme se torna muito interessante a partir do momento em que ela resolve tomar atitudes. Um filme que deveria ter mais destaque.  [79]

PS: Parabéns, Mel!



 Escrito por Gabriel Carneiro às 22h32
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A Lenda do Pianista do Mar (The Legend of 1900, 98)


 

 A Lenda do Pianista do Mar ou A Lenda de 1900 (tradução literal do título em inglês) é mais um excelente filme de origem italiana, cada vez mais os filmes italianos me surpreendem, e apesar deste ser falado na língua inglesa, o seu diretor é italiano. Depois de mestres como Sergio Leone, Vittorio de Sica, Fellini e Roberto Rosselini, a Itália nos presenteia com outro magnífico diretor, Giuseppe Tornatore. E vou dizer mais, ele é o maior e melhor diretor italiano ainda vivo. Depois de sua obra prima "Cinema Paradiso" e antes de fazer seu ótimo "Malena", Tornatore havia feito esse maravilhoso A Lenda do Pianista do Mar, que só não digo que é seu segundo melhor, colado com "Cinema Paradiso", porque infelizmente só vi os três acima mencionados. Mas, dos que eu vi, dois deles estão entre os melhores filmes que eu já vi na minha vida. Sua visão é esplêndida e mais uma vez ele consegue emocionar a todos que assistem essa obra. Criativo e mesmo sendo uma obra com um roteiro adaptado, ele consegue com maestria transformar em um dos melhores filmes já feitos, concordo que "Cinema Paradiso" é melhor, mas esse é tão fantástico quanto. Tornatore está tão à vontade ao dirigir o filme que parece que ele mesmo criou a obra, e de certa maneira o fez, deu vida e paixão a um filme que poderia ser extremamente cansativo. A condução do elenco e da câmera, além do estético, faz da produção uma forma de arte. E por que não classificar esse filme como arte? Mesmo sendo um drama magnífico, é também pura expressão de arte. Se um ser querendo se soltar e se expressar dignamente com um tom poético e lírico, isso não é arte?

Esse filme é uma maravilhosa obra que tem a mesma fórmula de "Cinema Paradiso", a história da vida de uma personagem contada por alguém próxima, e ao invés do assunto abordado ser o cinema, neste A Lenda do Pianista do Mar é a música e sua paixão por ela. Utilizando filosofia para explicar a personagem de Mil Novecentos (Tim Roth), Tornatore conseguiu dar vazão para lógica e para a racionalização humana, sendo o ápice do filme, a forma com que um mundo pode ser o mesmo, mas ser diferente apenas modificando o ponto de vista da maneira que bem entender, é assim que é feito o filme, como uma obra significativa e pensante para a humanidade. Infelizmente o filme faz parte do "circuito alternativo" (que nos premia cada vez mais com fantásticos filmes), não tendo tanta divulgação e tendo um público mais restrito. Nunca tirando o mérito de um dos filmes mais fabulosos da história do cinema. Com cenas antológicas, o filme conta uma história simples e até mesmo fantasiosa (por isso mesmo é uma "lenda"), pois é algo que raramente aconteceria, não importa que isso tenha ocorrido no começo do século passado. É sem dúvida algo que todos que tenham sensibilidade irão apreciar.

Mil Novecentos (Tim Roth) é um garoto encontrado no navio The Virginian, enquanto estava a bordo, por um engenheiro do navio, seu nome era Danny (Bill Nunn). Ao procurar objetos deixados pelos passageiros de primeira classe, ele encontra um garoto numa caixa que estava escrita "T.D. Lemon", assim Danny o pega para criar, pois sempre afirma que "T.D." significava "Tome, Danny." ("Thanks, Danny."), e assim ele o faz. O garoto cresce ao meio de carvão e caldeiras, e sempre obedecendo Danny, que o mandava nunca sair do barco e ficar escondido. Aos oito anos, Danny sofre um acidente e morre, deixando Mil Novecentos sozinho, e ele então começa a perambular pelo navio, e numa dessa acaba se encantando e aprendendo a tocar piano, virando um exímio pianista. Com uma exceção, desde de 1900 (ano de seu nascimento) até os dias atuais da história ele nunca sequer havia saído do navio, nunca tinha pisado em terra firma. A história é contada por um amigo dele, que com ele tocou, Max (Pruitt Taylor Vince).

Existem pelo menos três cenas que já vão entrar para história, cenas antológicas e líricas, certamente maravilhosas: a cena em que Mil Novecentos toca piano, no meio de uma tempestade, com o piano deslizando por todo o navio; no duelo entre Mil Novecentos e Jelly Roll Morton (Clarence Williams III); e quando Mi Novecentos vê pela primeira vez a garota nunca identificada, quando está gravando seu primeiro vinil.

Tim Roth mostra que é um ótimo ator, não digo que é sua melhor atuação porque vi poucos filmes dele, mas certamente é a mais lírica e poética. É impressionante vê-lo caracterizado como um pianista que nunca teve uma vida normal, mas é um dos mais fantásticos seres que já existiram. Tim Roth está convincente e muito bem, com uma performance digna de muitos elogios, é um grande atrativo para o filme. Pruitt Taylor Vince também ótimo ator, foi uma surpresa para mim este filme assim com suas respectivas atuações, foi algo magistral. Gostei muito deles nos papéis de músicos, mas não há mais nada a se dizer que seja relevante. Estão excelentes.

Mais uma vez Ennio Morricone se consagra nesse maravilhoso filme, e considero essa sua terceira melhor trilha sonora e uma das melhores da história, ainda acho as trilhas sonoras de "Cinema Paradiso" e "Era Uma Vez na América" melhores. Um grande trunfo para qualquer filme é sem dúvida contratar Ennio para compor a trilha sonora, não é a toa que ele é meu compositor de trilhas preferido. Suas composições são geniais, líricas, poéticas e contagiantes. Simplesmente maravilhosas.

Além da excelente sonoridade, o filme também se destaca visualmente. A fotografia é primorosa, algo espetacular. A cenografia, mesmo quase todos serem cenários marítimos e navais, são algo que além de compor a história e ser um grande fator no filme, são maravilhosos, eu destacaria cenas do filme, mas seriam muitas, de tão contínuo e esplendoroso que é. Tudo é fantástico, e mesmo existindo categorias técnicas como maquiagem e efeitos visuais que não tem muito destaque, e sendo de pouco uso, são fatores que fazem mais do que completar e compor o filme, eles dão um significado, assim como tudo no filme.

Foi com grande pesar no coração que descobri que o único reconhecimento mundial, digamos assim de maior importância, foi o Globo do Ouro de Melhor Trilha Sonora. Não ganhou nenhum Oscar, mas tudo bem, não deixa de ser um filme monumental, magnífico e realmente um grande favor a todos nós que temos o privilégio de descobrir esse A Lenda do Pianista do Mar. Uma grande obra, um grande elenco, um grande episódio na história do cinema. Assistam, aproveitem e se emocionem com a história de um homem, que mesmo não conhecendo o mundo, sabe mais dos que o conhecem.

Nota: 100/100

Escutando: CD (Innuendo - Queen); Música (She - Elvis Costello)



 Escrito por Gabriel Carneiro às 10h56
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Filmes vistos em Setembro

legenda: revistos

  • O Falcão Maltês - Relíquia Macabra (The Maltese Falcon, 41)  [87]
  • 8 Mulheres (8 Femmes, 02)  [82]
  • Blade Runner - O Caçador de Andróides (Blade Runner, 82)  [82]
  • Abaixo o Amor (Down with Love, 03)  [71]
  • Ricardo III (Richard III, 55)  [55]
  • Ararat (Ararat, 02)  [95]
  • Redentor (Redentor, 04)  [80]
  • Inferno na Terra: Hellraiser 3 (Hellraiser III: Hell on Earth, 92)  [50]
  • Simplesmente Amor (Love Actually, 03)  [95]
  • O Convento (The Convent, 95)  [18]
  • O Dono da Festa (Van Wilder: Party Liason, 02)  [51]
  • Xanadu (Xanadu, 80)  [61]
  • A Vila (The Village, 04)  [49]
  • Os Excêntricos Tenembauns (The Royal Tenembauns, 01)  [65]
  • Garfield - O Filme (Garfield, 04)  [34]
  • O Destino de Poseidon (The Poseidon Adventure, 72)  [73]
  • O Povo Brasileiro (O povo Brasileiro, 00)  [30]
  • Super Size Me - A dieta do palhaço (Super Size Me, 04)  [64]
  • Johnny English (Johnny English, 03)  [33]
  • O Bastardo (Jan Dara, 01)  [71]
  • Em Nome de Deus (Stealing Heaven, 88)  [65]
  • Noite Vazia (Noite Vazia, 64)  [87]

Comentários: 8 Mulheres é ótimo musical, e o melhor dos dois que vi de Ozon; Blade Runner é ótimo, mas nunca poderá ser chamada de a melhor ficção científica d etodos os tempos; Abaixo o Amor é uma bela comédia romântica, uma das melhores que já vi; Inferno na terra é o mais fraco da série dos que já vi; Simplesmente Amor, em questão de gênero é o meu segundoo filme preferido; Xanadu é um filme que tinha de tudo para ser um musical inesquecível, e joga tudo fora com aquele final patético; O Povo Brasileiro é um daqueles documentários que odeio tanto.

Mês fraco em número (22 filmes) e em qualidade. Uma pena. Espero neste próximo mês melhorar.

Escutando: CD (Bloco do Eu Sozinho - Los Hermanos); Música (Don't Worry Baby - The Beach Boys)

Melhores filmes:

  1. Simplesmente Amor
  2. Ararat
  3. Noite Vazia
  4. O Falcão Maltês - Relíquia Macabra
  5. Blade Runner - O caçador de Andróides

Piores Filmes:

  1. O Convento
  2. O Povo Brasileiro
  3. Johnny English
  4. Garfield - O filme
  5. A Vila


 Escrito por Gabriel Carneiro às 22h28
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